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RETÁBULOS DA ANTIGA CATEDRAL SENHOR BOM JESUS DE CUIABÁ

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19 fev
Foto: Ricardo P. Macedo

      O Museu de Arte Sacra de Mato Grosso é guardião de quatro retábulos dos século XVIII e XIX, remanescentes da Antiga Catedral do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, demolida em 25 de setembro de 1968. Nas igrejas, os retábulos são geralmente peças de madeira ou mármore, que ficam por trás ou acima das mesas dos altares e que são construídos por diferentes materiais e estilos artísticos. A Antiga Catedral dispunha de cinco altares esculpidos em madeira, sendo dois laterais, dois colaterais e um central, dos cinco apenas quatro sobreviveram ao tempo e puderam ser remontados e tombados no dia 30 de novembro de 2011 pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional, como patrimônio nacional. Os altares possuem 8 metros de altura por 4 metros de comprimento e suas peças trazem aspectos individuais que são autoportantes podendo ser encaixadas e desencaixadas no conjunto de forma que desenha e compõem os retábulos.

      O Altar em estilo Barroco-Rococó, datado do século XVIII, expressa alegria e apresenta como características o excesso de curvas caprichosas, a profusão de elementos decorativos como flores e folhagens, no intuito de conferir elegância à obra, com cores claras e douramento. Esse Altar é dedicado a Santa Terezinha, onde em tempos remotos ficava a imagem do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Ficava encostado na parede esquerda da única nave da antiga igreja Senhor Bom Jesus de Cuiabá, trabalharam na execução importantes nomes da arte sacra brasileira como os escultores, douradores e pintores Antônio Cândido de Borba e Sá e João Marcos Ferreira – SP, José Joaquim da Veiga Vale e seu filho Henrique Veiga Vale de Goiás, além do Cuiabano José da Silva Nascimento. É um retábulo de madeira cedro-rosa com douramentos, composto por numerosas peças ensambladas, fixadas atualmente com parafusos. Trata-se de uma “telha baixa”, cuidadosamente trabalhada, com os diferentes motivos elaborados de forma esquemática. Quanto ao estilo, apresenta uma linguagem formal própria do barroco rococó. O repertório ornamental se compõe basicamente de guindastes de flores, dos caules com folhas nas colunas torsas, de séries de borlas e de volutas com cartelas com enfeites fitomórficos. Tanto as figuras dos quatro serafins na base como as dos dois na moldura da tribuna e o coroamento, e também dos dois anjos à esquerda e à direita do baldaquino da tribuna respondem a um mesmo modelo antropomórfico adocicado. O reduzido leque ornamental e sua organização espaçosa parecem concebidos para destacar as imagens.

    O Altar em estilo Neoclássico, datado do século XIX, trabalhado em madeira cedro-rosa, com pintura policromada na técnica marmorino e douramento, com elementos estruturais que remetem ao Classicismo, a talha neoclássica preza a simetria, a simplicidade das formas, conforme se pode ver sobretudo na pilastra e na meia-coluna. As pilastras são lisas e retilíneas, bem como suas bases de sustentação, que além de serem simetricamente iguais estão colocadas em posição oblíqua. Com as colunas e os capitéis jônicos ocorre a mesma coisa: são simétricos e colocados de modo que apareçam opostos entre si. Já o coroamento – cujo aspecto atual está desfigurado, em parte pela montagem incompleta, em parte também por conter peças refeitas- evoca a tradição maneirista, tanto pelas variações nos motivos ornamentais quanto pelos corpos contorcidos dos anjos. Os elementos decorativos também são característicos do classicismo, com guirlandas e arabescos, em proporção simétrica, com douramento contido e às vezes surge tons de rosa e azul em imitação de mármore, preza a simetria, a simplicidade das formas e sintetiza-se na estrutura e na superfície, na uniformidade, proporção, verticalidade e horizontalidade, o Altar Lateral Direito é dedicado a São Miguel e Almas, onde às vezes alternava a exposição com o Sagrado Coração de Jesus.

Foto: Ricardo P. Macedo

      Já os retábulos Barrocos, datados do século XVIII, que faziam parte daquele que ficou conhecido como Altar de Sant’Anna e Nossa Senhora da Conceição e ficavam um na lateral direita e outro na esquerda em posição diagonal ao Arco do Cruzeiro, e apresentam clara tendência vertical, com planta ondulada, de aparência côncava. Os retábulos, idênticos, foram talhados em cedro-rosa. O conjunto está composto por numerosas peças que podem ser ensamblados. Cada um dos motivos está trabalhado com autonomia, eles denotam uma forte tendência naturalista. As figuras, em particular a representação das pequenas cabeças de anjos nas pilastras centrais, com rasgos fisionômicos definidos, fazem supor um mestre entalhador de tradição culta.